Jardins de Maio não pretende traçar um percurso pela história do órgão europeu. Pretende algo mais simples — e mais difícil: reunir num único programa obras de rara beleza, provenientes de épocas e países distintos, deixando que sejam a qualidade e a sensibilidade de cada uma a determinar o seu lugar no conjunto.
Música de Portugal, Itália, Espanha, França e Inglaterra, dos séculos XVII ao XIX. Compositores de escolas e tradições diferentes, unidos não por afinidade geográfica ou cronológica, mas por aquilo que cada obra tem de mais próprio: a capacidade de criar um espaço interior, de suspender o tempo, de fazer do som uma forma de presença.
Como num jardim de maio — onde convivem flores de origens diversas, cada uma com a sua cor, o seu perfume e o seu tempo de florescimento —, o programa não hierarquiza nem cataloga: colhe. O resultado é uma escuta que não exige conhecimento prévio, mas oferece profundidade a quem quiser encontrá-la.
A Igreja de Nossa Senhora da Pena, ao final da tarde, propõe o enquadramento certo: a ressonância própria da pedra antiga, a luz que declina pelas janelas, o silêncio que se adensa à medida que a cidade abranda. O órgão, instrumento de múltiplas vozes e infinitas cores, transforma-se em jardim.
Intérprete: Rui Valdemar, órgão
Local: Igreja de Nossa Senhora da Pena, Calçada de Santana, Lisboa
Data: Terça-feira, 12 de Maio de 2026
Hora: 17h30
Duração aproximada: 40 minutos
Entrada: livre, sem inscrição prévia
Recitais ao Ocaso — Temporada 2026 é uma iniciativa da Academia da Pena em co-organização com a Tota Pulchra e a Paróquia de Nossa Senhora da Pena.